segunda-feira, 14 de outubro de 2013


Mobilidade social, turismo e privatizações. Até que ponto essa relação é boa?


Podemos fazer uma análise do sistema atual de transporte no Brasil e concluir que estamos vivenciando uma grande crise dos transportes. Observem: privatização dos portos, aeroportos, rodovias; pedágios abusivos (em valores e em quantidade); tarifas de ônibus elevadas sem conforto e sem aumento da quantidade de ônibus, conforme à necessidade da população.
 Isto, com relação à atividade turística segue a um impacto negativo para o desenvolvimento e evolução desta economia no país. Observa-se também, que em cidades turísticas, os aumentos das tarifas de ônibus também têm sido realizados todos ou quase todos os anos. No entanto, uma cidade do estado de São Paulo foi um exemplo de melhorias na qualidade do serviço, como, a implantação de internet wi fi e ar condicionado nos ônibus.
 Porém, essas melhorias foram implantadas, em princípio, nos ônibus de circulação central. Por mais acessível que seja a tecnologia atualmente, não são todas as pessoas que têm aparelhos celulares com esse tipo de rede ou i pad/pod. Esse tipo de melhoria não justifica o aumento, pois não se caracteriza como qualidade no transporte público e sim como um conforto a mais ou algo irrelevante para a real função do transporte.
Então, devemos nos atentar com esses investimentos quando são realizados de forma "aleatória" ou que na justificativa seja explicitado tais afirmações em benefícios à população.

Com relação às privatizações das rodovias, as principais justificativas são por melhorias nas estradas e rodovias, como, segurança, tecnologias para asfaltamento etc. Tais estradas e rodovias, no Brasil, são utilizadas majoritariamente por turistas brasileiros, os quais buscam em conhecer e/ou visitar cidades ou estados mais próximos à sua região. As rodovias, de São Paulo, principalmente, há pedágios abusivos tanto em valores quanto em quantidade.

Calcula-se de que para ir ao litoral sul, partindo da capital paulista, gasta-se mais em pedágios do que em combustível. O que há de errado?
Se multiplicássemos os valores dos pedágios pela quantidade de veículos diariamente, quanto daria para investir, por exemplo, em outros meios de transporte? O que com certeza reduziria a quantidade de trânsito nas rodovias. Como por exemplo, o transporte hidroviário ou ferroviário. Isso não ocorre, porque as rodovias e estradas são privatizadas.
O modal ferroviário chegou a ser utilizado e investido durante muitos anos no Brasil, no entanto foi se desativando aos poucos, devido ao incentivo no setor automobilístico. Outra alternativa, se estatizado, poderia reduzir o valor à realidade de pagamento de custo apenas para a utilização e manutenção das rodovias, caso não haja planos de reversão do dinheiro aos investimentos em outros modais de transporte.
 O Brasil também não investe em modais hidroviários, os quais poderiam "desafogar" ainda mais o trânsito nas rodovias. Sendo assim, passeios hidroviários ou até mesmo podendo ser utilizados como meio de transporte ou implantar cruzeiros fluviais. Pode-se considerar um retrocesso ao Brasil continuar não investindo em transportes, exceto no setor automobilístico. Por isso, analisando historicamente até agora, há uma crise sendo avistada sem excluir quaisquer modais existentes no país.

Para o Brasil, os valores das tarifas de passagens aéreas em voos nacionais, são absurdamente abusivos, principalmente ao norte e nordeste brasileiro. Há comparações em diversas épocas do ano, em que sempre se encontra passagens mais caras dentro do país, do que para Europa, por exemplo.

Sem ainda pensar afundo nos leilões dos royalties da Petróleo, que possivelmente serão realizados este ano no Brasil, sem muita divulgação. Você não acha que o nosso combustível já é elevado demais para um país que detêm dessa matéria-prima? Na Venezuela o combustível chega a ser mais barato que a água, por exemplo.

Agora voltamos ao início do texto quando falávamos em viagens nacionais em destinos mais próximos através do deslocamento via automóvel. Além dos valores discutidos do pedágio, vamos também acrescentar na conta o valor do combustível, se partirmos para mais essa privatização (petróleo).

Você acha que isso é incentivo à atividade turística? Isso pode causar uma grande falência às cidades que vivem desse "produto". Falência tal que gera prejuízos aos empreendedores que investiram no local, mas também à toda população local que também empreenderam investindo na cidade, e também aos que foram inseridos no mercado de trabalho pela atividade turística e vivem desse meio de sustento. O que fazer com esses investidores e trabalhadores?

Ainda que não discutimos nas mãos de quem estão os bens públicos do Brasil e para quem irá o petróleo, se vendido os royalties. Isso também é importante saber, pois politicamente é criterioso.

No entanto, observamos que as privatizações afetam a rotina tanto de empresários, quanto de trabalhadores. Será que elas são boas para quem? para que? quais benefícios trazem? se trazem, para onde vão? Privatizado para quem? Para quem vão "bater o martelo" nos leilões do petróleo? quem responde essas perguntas? o que podemos fazer? boicote aos serviços privatizados? ir às ruas impedir que seja privatizado mais um bem público (o petróleo)? Estamos falando de que mesmo?

Camila Lopes Seixas é discente do curso de Turismo da Universidade Federal de São Carlos - campus Sorocaba camilaseixas@hotmail.com

Notícia publicada na edição de 23/07/13 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 007 do caderno Turismo
http://www.cruzeirodosul.inf.br/materia/488952/mobilidade-social-turismo-e-privatizacoes-ate-que-ponto-essa-relacao-e-boa

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